A sensação é de que os organizadores querem premiar “por fora” os times que forem campeões nos campeonatos promovidos pela Prefeitura de Pontes e Lacerda.

Na última semana, a empresa Anunciatta Assessoria Cerimonial Eventos Ltda foi a única habilitada a participar da Licitação pública promovida pelo município de Pontes e Lacerda para realizar seis campeonatos de futebol de campo, quatro na área urbana e dois na zona rural. Foi a vencedora cobrando pouco mais de R$ 159 mil.

No ano passado os campeonatos custaram aos cofres públicos R$ 145 mil.

Como de praxe, no orçamento e na planilha de custos foram apresentadas todas as despesas e a premiação, que era composta de troféus e medalhas.

Pelo principio da administração pública, cabe a empresa vencedora executar os serviços dentro do que foi licitado e nos prazos avençados, à Prefeitura efetuar os pagamentos do que foi efetivamente gasto e à Câmara de Vereadores fiscalizar o teor e a execução do contrato e o que foi pago.

Tudo certo. Até o Prefeito Alcino Barcellos condicionar a emissão da Ordem de Serviço – autorização formal para o início do contrato público-privado – a que os dirigentes de times e a empresa contratada se reunissem e lavrassem a respectiva Ata.

Essa reunião tinha um único e claro objetivo: a empresa vencedora da Licitação teria de  “oferecer gratuita e graciosamente” a premiação em dinheiro às equipes vencedoras, sem  a qual os dirigentes não colocam os times em campo, e como já foi feito no ano anterior, conforme divulgado pelo próprio prefeito Municipal.

A alegação de Alcino em áudio que está circulando no Face book, é de que o “Romes se nega a assinar a Ata e que, enquanto isso ocorrer, ele – Alcino – não vai assinar a Ordem de Serviço”.

Romes  Amurim – proprietário da contratada – por sua vez, diz que só conversa oficialmente com os representantes das equipes após ter formalizado o compromisso da Prefeitura de que vai contratar os serviços, e dentro do que está pactuado com o poder público.

Na realidade, os times amadores de Pontes e Lacerda estão ávidos pelo campeonato bancado integralmente pelo Municipio e pela premiação em dinheiro. Teve dirigente que tentou impedir o acesso da imprensa à reunião por razões sobejamente claras, de que as conversas poderiam não ser “republicanas” quanto à destinação dos recursos públicos. Os mesmo que, durante e ao final do campeonato, correm atrás dos repórteres para dar entrevistas.

Quem olha “de fora”, tem a nítida impressão que a esperteza para burlar a Lei e favorecer financeiramente a alguns e politicamente a outros, é a razão da tão desejada e imposta reunião com a lavratura da Ata. Há quem aposta que, se essa reunião for realizada oficialmente, na Ata vai constar uma premiação em dinheiro, que não consta no orçamento licitado pela Prefeitura.

O que está claro é que o valor orçado e autorizado pelo Prefeito Alcino Barcellos compreende todos os gastos para a realização do campeonato, com troféus e medalhas e sem premio em dinheiro.

Se a empresa contratada pode dispor de R$ 45 mil mínimos de premiação – igual a do ano passado – como exige Barcellos, significa que a margem de lucro dela é exorbitante, podendo sugerir inclusive superfaturamento. Afinal, o premio representa quase 30% de tudo o que está previsto ela gastar.

Imaginem o lucro dessa Empresa para fazer esse campeonato.

A propósito, a Câmara deve estar acompanhando essas negociações.