O prefeito de Comodoro é uma liderança emergente na região sudoeste do Estado. Costuma ser coerente nas suas posições políticas. De primeiro mandato, Jefferson Ferreira Gomes (DEM) tem reclamado e cobrado ações do presidente do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Vale do Guaporé, em favor dos municípios. Comodoro mesmo está sendo prejudicado, na visão do prefeito, por falta de decisão de Alcino Barcellos, sobre situações pendentes no Cisvag desde o início do ano.

“Não foi por falta de aviso” disse, no início da conversa que, com relação aos recursos que vão para a Santa Casa, se posicionou por questão de organização, já que não houve uma contrapartida do prefeito de Pontes e Lacerda desde  o começo, “desde  quando assumimos nossos mandatos de prefeito. Quando fomos discutir a saúde da região  falamos ao Alcino que, se nós não unirmos forças e não provarmos para o governo do Estado que temos sim um hospital com capacidade para fazer todas as cirurgias da região, além de perdermos os recursos, teremos  problemas também com a questão da nossa Regional”.

Falta de diálogo, a origem de tudo

Jefferson tem reclamado sempre que, desde que assumiu a vice-presidência do Consórcio Regional de Saúde já enfrentava dificuldades com o prefeito Alcino e que  até hoje não conseguiu resolver.  E frisou que “o primeiro momento na política é de ouvir as pessoas, ouvir a parte técnica. A partir disso você forma uma opinião e luta por aquilo que é viável e que favorece a coletividade”. Disse ainda que procurou colocar Alcino a par dos questionamentos para buscar uma solução conjunta.

Resultado da falta de ação política

O prefeito de Comodoro levou ao conhecimento de Barcellos a posição de que o município que ele governa possui 21 mil habitantes e são investidos R$ 200 mil no serviço de pronto atendimento. “Pontes e Lacerda tem 45 mil habitantes e Alcino aplica R$ 160 mil. Nós conseguimos provar ao prefeito que ele estava usando recursos da Regional no P.A. de Pontes e Lacerda”. Disse ainda que avisou mais: “o governo vai tirar o dinheiro porque em algum momento será identificado o desvio de finalidade. Não sou contra o Hospital da Santa Casa. Quem tem a responsabilidade sobre o Pronto Atendimento de Pontes e Lacerda é o Senhor (Alcino), é o Municipio, é a Prefeitura. E não pode ser usado o dinheiro da Regional, que deve ser para serviços, cirurgias, exames, para os municípios que compõem o Consorcio. E foi exatamente o que aconteceu”, concluiu.

Jefferson  avaliou também que Alcino Barcellos perdeu a capacidade de aglutinar os demais prefeitos da Regional de Saúde. “A finalidade do Consórcio é atender os municípios que estão dentro do programa. E qual a função do Gestor? É fazer com que o órgão atinja o objetivo de tratar as pessoas que são conveniadas. Para isso você precisa descentralizar a saúde. Por exemplo:  Vila Bela tem condições de  realizar os exames de ultrassonografia. Comodoro também  e ainda atender Campos de Júlio e Nova Lacerda.  Tem que descentralizar o Consórcio,  fazer com que os municípios  tenham esse respaldo. É essa discussão que o Alcino não entende, ele não quer discutir isso, não quer um diálogo aberto com os prefeitos. Isso dificulta  a nossa situação como administradores públicos. Nós queremos ajudar.

Por onde passa a solução

O prefeito de Comodoro ressalta que o município  representa 35%  do Consórcio e que, qualquer um que sair  do grupo torna-o inviável.

Sobre Pontes e Lacerda ser um polo de saúde, Jefferson enfatiza que  “nós precisamos provar ao governador, em conjunto, que temos condições sim de atender em Pontes e Lacerda, em Comodoro e em Vila Bela, fazer com que a nossa Regional distribua esse dinheiro para nossos municípios e que os pacientes sejam atendidos em nossa região. Ficaria para Cáceres e Cuiabá somente os casos de traumas e outros mais graves.

É só questão de conversar. “Eu fico preocupado com o Alcino porque politicamente  ele  perde, embora seja um prefeito trabalhador. O problema é a falta de diálogo e isso é muito ruim”, concluiu.