“Nada é tão ruim que não possa piorar”. A máxima nº 3 da Lei de Murphy “cai como uma luva” na administração do município de Pontes e Lacerda.

No Cemitério Recanto de Paz começa a contagem regressiva para o sepultamento de mortos na cidade. Há somente dez covas disponíveis. E nos corredores. A média de pessoas que morrem e são enterradas naquele Cemitério é de 45 por mês. Pouco mais de uma semana e não teremos onde sepultá-las.

O sepultamento de um idoso no final da tarde de hoje (14/06) dá a exata dimensão de como estão tratando a memória e o corpo de nossos entes queridos.

Vilipêndio e profanação

As covas são abertas no solo como enterravam nossos antepassados até o século XIX. Abre-se uma vala sem qualquer medida prévia – antigamente tinham a decência de serem ” a sete palmos de terra virgem” – colocam o caixão e jogam terra em cima, com pás e enxadas, levantando uma poeira insuportável, sem qualquer preocupação de que estão sepultando o corpo de um ser humano. Não preparam o local do sepultamento. É na terra nua mesmo.

Um tremendo pouco caso para com os corpos daqueles que estão sendo levados para o Cemitério para “descansarem em paz”. Um verdadeiro vilipêndio. Não existe reverência dos vivos para com os mortos. São sepultados como nos filmes de faroeste: abrem um buraco, colocam a urna funerária, cobrem-na com terra. Alguns ainda põem uma cruz de madeira para identificar o local onde jaz o corpo. E é só.

O coveiro pede aos familiares que marquem bem o local do sepultamento porque a Prefeitura não tem qualquer controle da localização e na identificação. Aliás, conforme denúncia feita pela TV Centro Oeste há mais de um mês, sem qualquer providência nesse sentido.

O Cemitério de Pontes e Lacerda pode ser chamado de qualquer coisa. Menos de Recanto de Paz.

Um assinte à memória dos nossos mortos.