Três novos delegados foram designados para atuar nas investigações do caso dos grampos ilegais em Mato Grosso, e seus nomes já foram apresentados no juízo da Sétima Vara Criminal, onde atua o juiz Jorge Luiz Tadeu. A escolha dos nomes é cercada de sigilo, mas, demonstra que a história dos grampos pode tomar novas proporções, chegando em novos casos não citados nos inquéritos anteriores.

A reportagem do jornal A Gazeta apurou que foram nomeados para trabalhar no caso dos grampos ilegais a delegada Jannira Laranjeira Siqueira Moura, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) de Cuiabá, a delegada Luciana Batista Canaverde, delegada regional de Água Boa, e o delegado Rafael Mendes Scatalon, da Delegacia Regional
de Pontes e Lacerda.

Em nota, a assessoria de imprensa da Polícia Judiciária Civil (PJC) informou que a equipe que vai apurar novos fatos no esquema dos grampos ilegais já foi definida e terá, como apontou a reportagem, 3 delegados. Contudo, de acordo com a
assessoria, os nomes não serão revelados até que os delegados assumam o trabalho, o que está previsto pa
ra o final do mês.

Um dos fatores para preservar os nomes, de acordo com a nota, é o fato de que os demais integrantes da equipe, como investigadores e escrivães, estão em processo de composição do grupo que vai atuar exclusivamente nos casos das interceptações telefônicas ilegais. Além disso, segundo o texto da assessoria, dois dos delegados são lotados
no interior do Estado.

De acordo com a assessoria, delegados do interior ainda precisam encerrar trabalhos que inconclusos nas delegacias onde estão lotados. Além disso, como não assumiram, há receios de que os três novos nomes possam sofrer pressões da imprensa durante as investigações.

A reportagem também procurou os delegados citados, que não confirmaram a nomeação. A delegada Jannira Moura, da DHPP, informou não saber da escolha. A delegada Luciana Canaverde, por outro lado, disse que ela não poderia confirmar a nomeação. O delegado Rafael Scatalon não foi contatado até o fechamento desta edição.

Grampos ilegais
As investigações que culminaram na prisão de ex-secretários e oficiais de alta patente da Polícia Militar de Mato Grosso apontam para um esquema de escutas ilegais que foi capaz de interceptar mais de 800 conversas de políticos, advogados e jornalistas.

Os telefones foram inteceptados com autorização judicial através de uma técnica denominada barriga de aluguel, quando números de pessoas não investigadas foram incluídos nos pedidos de interceptação encaminhados aos magistrados. As ações contra os acusados foram para a Justiça Militar, para a Justiça Federal e para o Tribunal de Justiça de Mato Grosso,
onde o relator é o desembargador Orlando Perri.

Fonte: Gazeta Digital