– Já sei, Senhor, que o homem não é dono de seus caminhos, e que ninguém pode estabelecer seu próprio curso. Jeremias 10.23

O percurso da caminhada cristã sempre foi traçado por terrenos pedregosos, cortando vales e montanhas sem privilégios para qualquer caminhante. Em todo o período de sua existência as comunidades cristãs vivenciaram todos os climas e topografias, fases de prestígio e perseguições, oposição e situação, profetas autênticos e outros de aluguel.

Enquanto no mundo, a igreja em vários países vive a bem-aventurança da perseguição e, por consequência, desfruta de um poderoso e compensador avivamento, na América Latina atravessa uma temporada de empolgação representada por articulações com o poder estabelecido, buscando pavimentar o caminho tornando-o mais confortável e espaçoso.

As igrejas cristãs têm desenvolvido articulações relevantes para a defesa de uma pauta geral de costumes e princípios, abandonando divergências que foram comuns e prejudiciais durante décadas de uma concorrência sem propósito. O que vemos com desagrado e, aqui registramos nosso protesto, é que alguns expoentes desse meio estão agindo de forma corporativa, batalhando por interesse próprio e conquistas pessoais, contrariando frontalmente o modo de ser e viver o cristianismo bíblico.

Se ao caminhante não é permitido retificar o traçado ou pavimentar o caminho, deve percorrê-lo em seus altos e baixos, curvas e retas, barrancos e ribanceiras. O propósito do Criador sempre foi ver os caminhantes palmilhando passo por passo, tocando em frente. Por essa razão deu-nos um caminho e não uma rodovia.

 — Entrem pela porta estreita porque a porta larga e o caminho fácil levam para o inferno, e há muitas pessoas que andam por esse caminho. A porta estreita e o caminho difícil levam para a vida, e poucas pessoas encontram esse caminho.  Mateus 7:13-14 NTLH

Apenas meio século atrás éramos um povo hostilizado, olhado com desdém. Tempo de aplicação devocional, investimento no testemunho pessoal, chamado às Nações, engajamento na defesa dos excluídos, apoio à promoção social, compromisso com a igreja perseguida mundo afora. Hoje a parte mais visível da igreja virou grife e esbaldar-se na fartura dos palácios virou moda. Fechamos os olhos para os desamparados, nos incomodamos com os diferentes, e não combatemos as desigualdades com a mesma veemência com que deveríamos missionar.

É tempo de despertar e retomar a caminhada aceitando o caminho proposto com resignação. Assumir o papel profético de defesa dos princípios democráticos, do direito à livre e respeitosa manifestação do pensamento, comunicar a mensagem cristã, com convicção e sensibilidade, demonstrando que ser tolerante não me torna conivente.

Até breve.