A mediação aconteceu na tarde desta sexta-feira (27/10), na cidade de Comodoro, cerca de 200 Km de Nova Lacerda, região oeste do estado de Mato Grosso. O que ficou decidido, é que as famílias que ocupam a área de pouco mais que 40 mil hectares, em uma área total de 130 mil hectares, façam a desocupação pacífica em 30 dias.

A fazenda fica na região de Comodoro, quase na divisa de Mato Grosso com o estado de Rondônia, as margens do Rio Guaporé. No local, mais de 500 famílias vivem há quase 10 anos, sobrevivendo do plantio e cultivo da terra. Desde o ano passado os produtores lutam pela legalização da área.

A audiência teve a presença de mediadores do Estado de Mato Grosso e deu a oportunidade para que representantes das Associações Novo Comodoro e Alto Guaporé falassem em nome dos assentados, afim de conseguir um prazo maior para a desocupação. Neste período, espera-se que os trâmites de compra da área sejam aceitos.

As famílias que fazem parte das associações não querem ficar na área de forma ilegal, e buscam medidas para regularização através de compra para poderem desenvolver a produção da agricultura familiar e criar suas famílias.

Policiais Militares tentaram no início do mês, realizar um reintegração de posse, de forma pacifica no local, mas foi suspensa pelo Juiz da comarca de Comodoro, Marcelo Sousa Melo Bento de Resende, e estendeu por mais 30 dias ou até que se tenha uma alternativa para evitar possível conflito entre os que estão nas terras e os policiais.

Na mediação de hoje foi apresentada uma Carta Precatória expedida pelo Fórum da comarca de São Paulo, designando que a reintegração de posse tem que acontecer, e se for preciso até com o uso de reforço policial. Mas de forma ordeira, os assentados estão cientes, que no prazo de 30 dias, eles devem deixar a área. Nesse período pode haver a suspensão da liminar, mas simplesmente aumentando o prazo para negociações.

São 500 famílias que estão nas terras há quase 10 anos, buscando alternativas para resolver o problema, e poderem continuar na área. Segundo um dos assentados “o problema maior é que tem fazendas grandes também disputando o local, e tomara que o ditado popular “a corda arrebenta pro lado do mais fraco”, não tire o sonho desses pequenos produtores da agricultura familiar”.