Moradores de Pontes e Lacerda não precisam visitar grandes cidades para se deparar com “flanelinhas”. Basta estacionar o carro durante o dia na Praça Miguel Gajardoni.

Os “guardadores particulares de carros em espaços públicos” usam papelões para cobrir os para-brisas dos veículos e protegê-los do sol. Independente da vontade do motorista. São muito ágeis; você mal sai do carro e lá estão eles, colocando os “protetores de papelão, sujos e mal conservados”.

Mas ao retornar para o veículo a pressão inicia pelo pagamento da taxa de estacionamento. Ainda mais se for mulher ou idoso, eles insistem, ameaçam  querendo dinheiro. Se esboçar um gesto de que não vai haver pagamento, insinuam de que o carro ou moto pode ser danificado. Isso já aconteceu com um empresário que deixou o veículo estacionado, e não pagou e teve a caminhonete arranhada alguns dias depois, no estacionamento próximo ao Banco do Brasil.

No departamento de jornalismo da TV Centro Oeste, chegam várias denúncias de vítimas que foram ameaçadas pelos flanelinhas

Orientação da Polícia   

O caso já foi levado ao conhecimento dos vereadores e também aos órgãos de segurança. Entretanto, a situação persiste e já tem contornos de normalidade. Pior,  parece que as discussões deixaram os flanelinhas mais fortes, porque eles continuam cobrando ilegalmente estacionamento em local público, e a impressão que se tem é de eles já estão organizados comercialmente. Só não colocarem placas com os preços, ainda.

Representando a PM, Tenente Coronel Chaves da Policia Militar informou que “já conversei com algumas autoridades e foi deliberado junto aos oficiais que tiram serviço de oficial de dia no 18º BPM, a intensificação das abordagens daquelas pessoas que ficam guardando carros (flanelinhas) para amenizar a situação. Esclareço que as abordagens só terão resultado concreto se o abordado tiver mandado de prisão em aberto, ou se estiver em flagrante de cometimento de crime (extorsão, ameaça, dano ao patrimônio, lesão corporal e outros). Para o flagrante é preciso acionar a PM, fato que não está acontecendo. Se a pessoa foi extorquida, ameaçada ou teve o seu patrimônio danificado e não tem coragem de acionar e aguardar no local, saia de lá e acione a PM. Agora dar dinheiro porque ficou com medo, não acionar a PM e falar que não temos segurança Pública, no mínimo é injusto”.

O comandante da Polícia Militar enfatizou ainda que “temos os melhores quadros de agentes da segurança Pública do Estado. As instituições PM, PJC, Politec, Ciretran, CDP, Bombeiros, PRF trabalham diuturnamente integradas. Temos os mais altos índices de solução de crimes do Estado. Temos as instituições como o Ministério Público e o Judiciário cumprindo seus papéis com o rigor da lei, preocupados com o bem estar do cidadão de bem, e na luta contra a criminalidade. Temos um Conseg atuante que é referência no estado de Mato Grosso e no Brasil. Temos uma sociedade civil participativa. Um empresariado também participativo. Mas toda essa integração das instituições e da sociedade em geral só terá resultados se o cidadão lesado acionar o órgão de segurança”.

Comércio ilegal sem fiscalização municipal

Sem fiscalização e sem qualquer abordagem, a permanência dos “guardadores ilegais” tende a se consolidar na Praça Miguel Gajardoni. A inércia da Prefeitura mostra uma parcialidade “estranha” com relação aos empresários locais que pagam impostos e geram emprego e renda. E mais, uma permissão tácita.

O prefeito é cioso em cobrar e notificar comerciantes que estão com situação irregular, exigindo providências para regularização sob pena de multa. Vendedores ambulantes ao chegarem na cidade são obrigados a pagar uma taxa e conseguir alvará que os autorizem a vender seus produtos.

Mas esses “flanelinhas” que intimidam, extorquem, causam constrangimentos e denigrem a imagem do centro comercial da cidade estão tendo privilégios com tratamento diferenciado e tolerante por parte do poder público.

Estrada do Matão x Praça Miguel Gajardoni

Alguém precisa pedir ao prefeito Alcino Barcellos para que deixe de rodar pela Estrada do Matão por algum tempo e passe a visitar a Praça Miguel Gajardoni, que está localizada bem no centro de Pontes e Lacerda.

Lá o prefeito irá se surpreender, com comércio ilegal de estacionamento público, banheiros pútridos, esgoto a céu aberto escorrendo dos banheiros, falta de espaço para as pessoas de bem estacionarem, drogados e alcoólatras e um local onde um dia existia um Coreto, tombado simbolicamente como solução contra “desocupados” que afugentavam a população.

Alcino Barcellos só não vai ver famílias e crianças brincando na Praça.