Os bastidores do jogo para fechar a Santa Casa

Tudo o que a população de Pontes e Lacerda quer é que a Santa Casa se consolide como hospital regional, melhore a qualidade dos serviços e adquira equipamentos cada vez mais sofisticados. Basta ver o expressivo resultado do Leilão Solidário e a mobilização da sociedade.

Mesmo quem é contra o hospital sabe que, se precisar de serviço de urgência ou emergência,  a Santa Casa é a primeira referência. A outra alternativa é a BR-174, percorrendo pelo menos 220 quilômetros para o primeiro pronto-socorro, em Cáceres.

Mas o jogo político de baixo nível e picuinhas pessoais de servidores de segundo escalão, como é o caso da secretária municipal de saúde, faz parte do processo de desestruturação do atendimento à saúde no município e contra a Santa Casa, numa clara intenção de gerar prejuízo para Pontes e Lacerda, em favor da remota possibilidade de criar um hospital em Comodoro, e desestabilizar a direção do Hospital. Por trás de tudo isso está a obsessão do prefeito em comandar a Santa Casa. Ele mesmo sugeriu ao Chefe da Casa Civil fazer uma gestão compartilhada do Hospital.

Não há quem não demonstre boa vontade e se manifeste a favor da manutenção de um hospital em Pontes e Lacerda.

Nos bastidores, no entanto, já se sabe quem está falando a verdade e quem está blefando.

O jogo

O primeiro deles é o prefeito Alcino Barcellos. Ele tem dito que nada tem a ver com a Santa Casa. Esquece se o hospital fechar, ele vai ter que montar uma frota de ambulâncias para fazer transporte de pacientes para Cuiabá, porque em Cáceres já há pacientes no corredores, hoje, com o sistema atual de atendimento.

Barcellos não move “um dedo” em favor da saúde de Pontes e Lacerda. Só quando é insistentemente cobrado. Um exemplo é que ficou de reunir prefeitos da região  na semana passada para buscar uma solução política junto ao governo do Estado e que o valor residual que está na conta da prefeitura (uns falam em R$ 700 mil) seja direcionado para complementar provisoriamente o valor repassado pelo governo estadual. Segundo informação de vereadores, Alcino  começou a ligar apenas hoje aos prefeitos.

Seria a vilã?

Outro fato que mostra como o jogo está sendo jogado foi a falta de ação da secretária municipal de saúde na reunião da CIR, Comissão Intergestores Regional  – onde os secretários demonstraram claramente que estão muito mais direcionados para a fragmentação dos atendimentos, desestruturando a ideia de tornar Pontes e Lacerda em polo regional de saúde. A própria secretária – segundo parlamentares – disse após a reunião que não recebeu qualquer orientação do Prefeito sobre como se portar na reunião. O vereador Anderson Barbosa tem dito que “a secretária está enfraquecendo o município”

Desde o mês passado, já se sabe que o Hospital deve receber este mês apenas R$ 320 mil. Estamos no dia 21, a Santa Casa está atendendo como fosse receber mais de R$ 600 mil e não há pressa em definir a situação.

O jogo é claro, nos bastidores. O prefeito de Pontes e Lacerda faz jogo duplo. Fala que vai defender o Hospital e chega a reconhecer que há algo errado. Mas as ações da secretária é exatamente no sentido oposto. Não houve, até hoje, qualquer conversa do Executivo e o Legislativo, para agirem de forma conjunta e ordenada.

Receita para os politicos

Na sessão extraordinária de hoje os vereadores já se convenceram que a saúde não é prioridade para o prefeito de Pontes e Lacerda,  mas que deve ser para os parlamentares. Eles sabem que quando chegar o caos, o desgaste político recairá sobre a Câmara.

Do vereador Maxsuel, essa “pérola”: “ Se a gente não conseguir resolver isso até o dia trinta, vocês podem desligar o celular, no dia primeiro de agosto, e vazar  na braquiária, porque a população vai ver as portas fechadas do Hospital e vai cair em cima dos vereadores”. Às vésperas da Expoeste.