O SIGNIFICADO DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Gilmar Maldonado

20 de novembro de 2019

O Artigo primeiro da Lei Estadual 7879/2002 assinada pelo então Governador Rogério Salles institui feriado estadual dia de 20 de Novembro de como “Dia da Consciência Negra”, em lembrança da data de morte do líder negro Zumbi dos Palmares. A historiografia brasileira sobre o lendário Zumbi é muito resumida, levando alguns pesquisadores a duvidar sobre sua existência. O que se sabe é que havia nos sertões das Alagoas do século XVII um quilombo cujos negros foragidos lá viviam uma sociedade com parcos recursos econômicos, ligada a plantação de milho, feijão, mandioca e bananas, e viviam em pequenas casas construídas de barro com madeiras extraídas da mata (taipa) e cobertas de folhas de palmeiras. O local era abundante em palmeiras, daí o nome Quilombo dos Palmares. Não se tem também nenhum numero aproximado de pessoas que ali viviam, e portando nenhum conhecimento real de sua demografia. Segundo alguns historiadores, alguns denominaram o quilombo de Republica, porém outros diziam ali existir como líder do povo, um rei que por eles foi denominado Ganga-Zumba, descaracterizando assim a república.

A inserção no ano de 1695 de Domingos Jorge Velho, bandeirante paulista, nascido na Vila de Parnaíba nos sertões das Alagoas, teve como objetivo principal a extinção do quilombo que fora totalmente arrasado pelos seus comandados, usando para a ação canhões e outras armas poderosas existentes naquela época, sem muita chance de defesa a população quilombola. Muitas mortes e prisões ocorreram com o ataque, extinguindo definitivamente o quilombo que segundo alguns tivera quase um século de existência.

Outros quilombos menos povoados e mais distantes do litoral brasileiro continuaram a existir como ou surgir, como por exemplo, o do Piolho ou Quariterê, na região do Guaporé Capitania de Mato Grosso que fora também extinto nos idos anos de 1795 pelas tropas do Governo da Capitania. Apesar das investidas contra essas organizações sociais, outros quilombos continuaram existindo isoladamente, por estarem sempre localizados em áreas inóspitas e de difícil acesso em todo território brasileiro.

Essas organizações buscavam uma independência política e social dos negros em relação às condições impostas pelo regime escravagista em que estavam inseridos, sendo os mais destacados ideologicamente e/ou culturalmente os chefes que não raramente negociavam com os brancos direitos de permanecerem livres.

Os costumes além da culinária preparada com produtos de produção exclusiva do quilombo, também estavam na forma de se vestirem: homens e mulheres cobriam principalmente as partes de baixo do corpo, permitindo que as costas e todo tórax permanecessem expostos e as crianças até a idade próxima a puberdade viviam nuas. Não havia escola nessas comunidades (quilombos) utilizando-se para tanto a cultura oral que era passada e praticada dos mais velhos aos mais novos, de maneira presencial sem critérios ou paradigmas.

No Brasil oito estados e cerca 350 cidades brasileiras instituíram através de lei o feriado pelo dia da Consciência Negra. O Mato Grosso vivenciou no período escravagista alguns quilombos, sendo os mais conhecidos os seguintes; Quilombo da Carlota também denominado Piolho ou Quariterê, na região do Guaporé: Quilombo do Pindaituba e Quilombo do Mutuca na região de Chapada dos Guimarães e o Quilombo de Mata Cavalos em Nossa Senhora do Livramento. Este resistiu ainda depois da abolição.

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