A lógica perversa de uma administração desastrada na saúde.

Pontes e Lacerda sempre quis ser polo regional, desde a época do então prefeito Newton Miotto. Geograficamente bem localizada, está bem distante de Cuiabá e com quase uma dezena de municípios no seu entorno.

Para a área da saúde, então, as condições seriam as melhores. Como polo, a ideia era atrair laboratórios, novas clínicas com especialidades diversas, empresas com novos equipamentos médicos de alta tecnologia e, mais profissionais da área da saúde. Além de dotar a Santa Casa de estrutura adequada para atender a região.

Começamos na administração Donizete Barbosa a receber profissionais e empresas de Cáceres que estavam vindo para Pontes e Lacerda, a princípio, algumas vezes por mês, sinalizando que estavam dispostos a investir na saúde do município.

Foi assim também com equipamentos de alta tecnologia, clínicas, profissionais de dermatologia, urologia, neurologia e outras especialidades.

Vários desistiram de continuar atendendo em Pontes e Lacerda. Um verdadeiro retrocesso, por falta de incentivo do poder público que não comprava os serviços e pela perspectiva frustrada.

O município já teve quatro hospitais quando a população era menos da metade da atual (Hospital São Lucas, Santa Cruz, Santa Helena (atual Ótica Visual) e Santa Casa), Tivemos até duas semanas atrás um hospital que atendia a população regional. Hoje a Santa Casa se transformou num Posto de Saúde.

Antes, tínhamos médicos cirurgiões, anestesistas, outros especialistas e uma população que aumentava. Hoje, qualquer cirurgia é feita em outro município e até partos são feitos fora, em Cáceres e Vila Bela da SS Trindade. A média de nascimentos que poderiam ser feitos em Pontes e Lacerda varia entre 60 e 80 por mês.

De nada adiantou o esforço da população em promover leilões beneficentes, campanhas para melhorar a estrutura física da Santa Casa. Hoje os coordenadores do  Leilão Solidário tem recursos disponíveis para a compra de equipamentos para o hospital e não sabem o que fazer.

Crescer como, dessa maneira?

Essa preferência por aquisição de ambulâncias mostra claramente uma forma de governo desastrada e perversa para o município.

Basta verificar, para dar apenas um exemplo, os custos do transporte de um paciente ou parturiente para Cáceres:

  • Diária do médico: R$ 500,00; diária de enfermeiro: R$ 200,00; diária do motorista: R$ 213,56, combustível, risco do paciente, desgaste do veículo. Custo mínimo de R$ 1.200,00 por viagem. Calcule o valor em um ano.
  • É importante ressaltar que os profissionais que acompanham pacientes normalmente são desviados de suas funções. Um exemplo é a enfermeira que estava na ambulância quando uma jovem se suicidou, se jogando do veículo, há poucos dias. A servidora é Coordenadora na área da saúde.

Direcionar recursos para implantar um serviço decente de atendimento nos ESF’s e Santa Casa que evolua em qualidade ao longo do tempo ou continuar investindo na aquisição de ambulâncias.

Eis a questão.