“Nada é tão ruim que não possa piorar”. Independente de quem seja a autoria da frase, ela se encaixa na atual situação em que vive o Hospital Vale do Guaporé, a Santa Casa.

A paralisação dos médicos especialistas na última sexta-feira suspendendo cirurgias e a falta de recursos vai gerando o efeito “cascata” e reduzindo o atendimento. Essa situação a cada dia vai se agravando e, se nada de concreto e permanente acontecer, o fechamento definitivo do Hospital é questão de tempo.

Hoje o atendimento se restringe ao Pronto Atendimento. Como se fosse um posto de saúde. A cada dia o Hospital reduz a capacidade de atender pacientes.

Raio-X e a emenda do deputado Wancley

A Santa Casa não tem mais disponível o aparelho de Raio-X, pois o equipamento é locado e está dentro do contrato do Estado.  O Município ainda não adquiriu novo aparelho, mesmo tendo dinheiro em conta, oriundo de emenda parlamentar do deputado Wancley, desde julho de 2016. Não compra porque não quer.

Sem exames de laboratório

Não está mais disponível o contrato com o Laboratório de Análises Clínicas. A partir de agora, será impossível a regulação de pacientes se houver necessidade de exames laboratoriais.

Segundo um funcionário, “se chegar um paciente com suspeita de infarto a Central de Regulação de Cáceres solicita exames para aceitarem a regulação. Como não temos mais esse serviço os médicos do PA não terão como encaminhá-lo ao Hospital Regional”. “Está faltando condições de trabalho e o risco à atividade dos médicos e à saúde dos pacientes é real”, pontuou.

Falta remédio e até esparadrapo

O cúmulo do absurdo se falando em saúde é o racionamento de medicação aos pacientes. Pois é isso que está acontecendo, pois o estoque está se esgotando. Falta medicamentos, soro, esparadrapo, equipo e antibióticos, entre outros não menos importantes.

A dura realidade

Por essas razões, não adianta o Hospital continuar atendendo de forma precária simplesmente para atender  à legislação de greve. Não adianta ter o médico para o primeiro atendimento se não tem o apoio de especialista, sem medicamento, equipamentos básicos, exames clínicos e aparelho de raio-x.

Origem do caos

O uso de parte dos recursos oriundos do governo do Estado para viabilizar o setor de Pronto Atendimento – cerca de R$ 120 mil mensais – e que deveria ser suportado pela Prefeitura de Pontes e Lacerda, afastou os prefeitos da região que não movem “uma palha” para defender  a Santa Casa. Não há mobilização das lideranças da região para que Pontes e Lacerda seja na realidade um polo regional de saúde.

Aduzido ao valor insuficiente repassado pela Prefeitura – da ordem de R$ 120 mil a menos por mês – a crise econômica de Mato Grosso tem levado o governo estadual a atrasar o  pagamento desde o mês de julho.

E ainda tem gente exigindo e reclamando do atendimento da Santa Casa. Fecham os olhos para a dura realidade da saúde em Pontes e Lacerda, em “estado terminal, sem uso de aparelhos”.