Na topografia montanhosa da Judéia a cidade de Jerusalém emoldurava o quadro onde o Templo era o destaque arquitetônico da colina de Sião. Havia uma romaria (caminhada religiosa anual) de peregrinos até o templo. Vinham aos milhares, dos mais distantes lugarejos, em festivas caminhadas que reuniam caravanas de famílias e romeiros individuais. Todos caminhavam rumo a Jerusalém. Quanto mais se aproximavam, mais eram visíveis a cidade e o Templo.

Essa visão despertava em cada romeiro motivadoras frases de alegria, brados de júbilo. E, nos poetas, inspiravam versos de louvor, adoração, declarações de fé e de confiança no Eterno. Este é o caso do autor do Salmo 121: enquanto caminhante, o sábio romeiro reafirma os pilares de sua sólida confiança em Deus:

– “Levanto os olhos para os montes”. Quem busca vitória tem seu foco nas alturas. Posso subir uma montanha com os pés ou com os olhos. Mas, sempre olhando pra cima. Enquanto caminho, reflito e, percebo que meus problemas precisam de soluções. Levanto os olhos para o topo da montanha e logo meu pensamento encontra o soberano Arquiteto das soluções: o meu socorro imediato vem do Senhor, ninguém menos que o Criador dos Céus e da Terra.

Alguma dificuldade que Ele não possa resolver?

A caminhada rumo ao topo do monte continua, passo a passo, a inspiração aumenta:

– Aquele que me guarda não dorme, nem cochila. Pensar nisso desperta minha segurança em Deus durante as vinte e quatro horas do dia.

No verso 6 uma constatação intrigante: Sol e Lua, feitos para o bem da Terra, às vezes, podem causar complicações. Mas, posso confiar que o Senhor me guarda e me agasalha em sua sombra.

Em Deus o caminhante fiel tem seguro total.

No verso 7 isso fica bem claro: o Senhor me guarda de “todo mal”. Essa cláusula é tão abrangente quanto definitiva. Todo mal, aqui, inclui a vida e seus riscos: viver, ter saúde ou adoecer, medo, ansiedade, traição, relacionamentos, prazos, negócios, investimentos, débitos, créditos, falências, recuperações, frustrações, fracassos, formação escolar e acadêmica, adolescência, juventude, senescência. “Todo mal” também inclui a morte, o luto e a dor.

Enquanto prossigo a caminhada minha lista de complicações vai aumentando.                 Mas, quando olho para o alto da Montanha percebo a Fé conversando com a Esperança: o Senhor o guardará de todo o mal, todo, todo, todo mal!

E, por fim, diante do portal de Jerusalém, minha mente recobra o ânimo e constata que o Senhor guardou o peregrino o tempo todo, na entrada, na saída e ao longo da caminhada.

Antes, durante e depois: é assim que o Senhor me guarda!